CULTURA E ARTE NA EDUCAÇÃO

A arte na Educação de crianças em situação de vulnerabilidade social

 

A arte e a cultura já são reconhecidas pela educação global como importantes fontes de conhecimento, expressão e desenvolvimento da criança e do adolescente.A utilização da arte como ferramenta de aprendizado pode ser realizada de diferentes formas que vão da música à pintura, sendo possível oferecer ao aluno diversos caminhos para ao aprendizado e expressão.

Em cenários de vulnerabilidade e risco social e arte é uma importante aliada na transformação social do indivíduo, pois serve como um canal de acesso e comunicação com o público e faz bem para a saúde do corpo e da mente. A arte colabora com o desenvolvimento, interpretação, imaginação, raciocínio, comunicação entre outros pontos.

No Brasil, o uso da arte na educação das crianças está ainda muito longe do ideal, mas o Ministério da Educação tem criado materiais de apoio às Instituições e escolas, como por exemplo a Cartilha Oficial de Artes. A Legislação educacional do país também já reconhece a importância da arte na formação e desenvolvimento das crianças e adolescentes e por isso, a arte foi incluída com obrigatoriedade no currículo educacional.

Benefícios da arte na educação

 Aumento da capacidade de interpretação; Estímulo ao desenvolvimento do raciocínio; Desenvolvimento emocional e afetivo; Desenvolvimento da criatividade; Desenvolvimento da comunicação; Aumento da autoestima; Diminuição do stress e Forma de lazer.

A situação de vulnerabilidade social é uma realidade vivida pelas crianças e adolescentes atendidos na IAM – Instituição Assistencial Meimei.

As crianças e adolescentes atendidos na IAM, convivem com: desigualdades sociais, pobreza, exclusão social, falta de vínculos afetivos na família e na comunidade, falta de recursos na área da saúde, poucas opções de lazer e cultura,  falta de perspectivas profissionais e projetos para o futuro,  falta de perspectivas de entrada no mercado formal de trabalho, e principalmente a “grande e atrativa” oferta de drogas, tráfico e armas.

Conhecedora dessa realidade, a IAM introduziu diversas modalidades da Arte na educação das crianças e adolescentes desde o início de suas atividades, porém em 2013 por meio de convênio firmado com a Secretaria de Cultura do Município de São Bernardo do Campo, através do projeto Ponto de Cultura a Instituição que na época tinha como Diretora do Centro Educacional IAM a Sra. Fátima Ribeiro teve a oportunidade de realizar a contratação de profissionais especializados nas áreas de música, artes plásticas, esportes e dança.

Em 2017 a IAM também implementou o Projeto Piloto ‘Mente Livre”, hoje denominado Auto-Estima, onde firmou parceria com o CREC - Centro Recreativo Esportivo e Cultural do bairro Paulicéia, onde hoje parte de seus alunos frequentam as aulas de teatro.

A educadora Fátima explica que Arte como expressão da criação, percepção visual e auditiva, expressão corporal, intuição, percepção estética, sensibilidade e imaginação proporciona a crianças e adolescentes conhecer diferentes realidades, culturas e movimentos, ampliando sua visão de mundo e de si mesmo. “Nosso objetivo foi proporcionar a essas crianças e adolescentes uma formação integral, contribuindo para sua inserção na sociedade de forma saudável, sentindo-se parte dela com atuação consciente e ao mesmo tempo proporcionar ações que pudessem favorecer sonhos e projetos para o futuro,” afirma a educadora Fátima.

O maior desafio dos professores é resgatar o sonho de crianças e adolescentes que já não sonham mais

A professora de arte Renata Polli da Silva, diz que o que mais se percebe entre os alunos é a falta de perspectiva do sonhar. “Mexe muito com quem educa ver jovens e crianças que já não sonham mais,” acrescenta. Para ela, a maior missão dos professores do Centro Educacional IAM e Centro Educacional Sheilla é resgatar os sonhos das crianças e adolescentes ali atendidos. 

Com a introdução da arte no currículo escolar crianças e adolescentes começaram a perceber que além de estar aprendendo, podem ter na arte, uma profissão que lhes proporcione uma vida digna. É o que constatam no dia-a-dia os professores de música, educação física e dança, os dois últimos frequentadores de instituições assistenciais, onde um foi aluno da IAM na infância e hoje é professor de Educação Física e outro frequentador das aulas de dança, da Instituição Assistencial Maria Amélia em Santo André.

O professor de Dança Márcio Rodrigo Gomes da Silva diz que no começo os meninos achavam que homens não faziam dança, entretanto, hoje pedem para ter aulas. Nestes dois anos na IAM ele constatou como a dança ajudou as crianças a se expressarem e a serem mais carinhosas porque em seus lares nem sempre recebem carinho dos pais.

 “Foi o meu caso e o de meus irmãos porque, ou minha mãe nos dava carinho ou trabalhava para nos dar o que comer. Hoje entendo isso,” revela Márcio. Ele afirma que a dança mudou a sua vida, e o tornou uma pessoa melhor. “A dança me ajudou a perder a timidez e o sentimento de inferioridade que me acompanhavam desde pequeno,” destaca. Quando tinha 13 anos ele foi assistido da Instituição Assistencial Amélia Rodrigues, onde frequentou o curso de dança.

Já o professor de educação física, Luiz Francisco, que foi aluno da IAM a partir dos 4 anos de idade, trabalha com os alunos a educação do corpo físico e diz que o trabalho de um professor complementa o do outro. “A IAM tem o poder de transformar a vida dos alunos e dos seus pais”, acrescenta.

No início do processo, a educadora Fátima relembra que a direção e os professores enfrentaram muita rejeição por parte das crianças e adolescentes para participar das aulas, porque eles não conseguiam perceber utilidade na vida deles para o que estavam aprendendo. Mas rapidamente os professores e a direção da escola começaram a perceber uma melhora significativa das crianças e adolescentes na concentração, na realização das atividades com mais cuidado, na coordenação motora, na criatividade, além de apresentarem-se mais desinibidos, mais confiantes, mais disciplinados, mais estimulados.  

De acordo com a educadora, as aulas auxiliam no desenvolvimento do senso artístico o que os ajuda muito nas aulas regulares, sendo notáveis as conquistas das crianças e adolescentes. “Percebemos no decorrer do processo, maior interesse em participar e sonhos sendo construídos. Crianças e adolescentes extremamente tímidos, participando de todas as atividades e nos surpreendendo nos eventos pelo desempenho e pela qualidade das apresentações.”

A professora Priscila resume: “Antes as crianças não tinham perspectiva de vida; hoje conseguem tocar vários instrumentos musicais, perderam a timidez, estão mais comunicativas, interagem mais entre si e com os professores.”

Artigo: Margarete Acosta de Mendonça

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