Carnaval também educa: como a cultura contribui para o desenvolvimento infantil
A cultura popular, quando vivenciada de forma intencional, ativa linguagem, expressão corporal, música, memória histórica, identidade e convivência, contribuindo de maneira significativa para o desenvolvimento integral das crianças.
A educação contemporânea reconhece a cultura como uma linguagem essencial de aprendizagem. Autores como Paulo Freire já defendiam que o processo educativo se fortalece quando dialoga com a cultura viva das pessoas, valorizando saberes populares, experiências coletivas e expressões simbólicas. Nesse sentido, o Carnaval se apresenta como um território fértil de aprendizagens, pois conecta conhecimento, emoção e participação social.
Nas marchinhas, fantasias, ritmos e blocos, a criança explora sons, rimas, cores, movimentos e narrativas. Essas experiências ampliam o vocabulário, estimulam a memória, desenvolvem coordenação motora e fortalecem a criatividade. Estudos da área da educação artística e musical indicam que vivências culturais contribuem diretamente para o desenvolvimento da atenção, da percepção sensorial e da expressão de sentimentos, favorecendo também o aprendizado da linguagem oral.
Além dos aspectos cognitivos, o Carnaval mobiliza competências socioemocionais fundamentais. Organizar um cortejo, combinar regras, respeitar turnos, dividir espaços e celebrar coletivamente são práticas que desenvolvem cooperação, empatia, autocontrole e responsabilidade. A festa se transforma, assim, em um verdadeiro laboratório de convivência, no qual as crianças aprendem, na prática, a viver em grupo.
Do ponto de vista histórico e social, o Carnaval permite abordar temas como identidade, diversidade e cidadania. As manifestações carnavalescas brasileiras têm origens plurais, marcadas por influências indígenas, africanas e europeias. Trabalhar esses elementos com as crianças contribui para o reconhecimento da cultura afro-brasileira, das regionalidades e da riqueza cultural do país, promovendo o respeito às diferenças e o fortalecimento do senso de pertencimento.
Pesquisas na área da educação cultural e patrimonial, apoiadas por instituições como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a UNESCO, destacam que o contato com manifestações culturais desde a infância favorece a formação de cidadãos mais críticos, conscientes e respeitosos em relação à diversidade cultural. Ao compreender a história e os significados do Carnaval, a criança amplia sua leitura de mundo e sua compreensão sobre o coletivo.
No contexto educativo, o Carnaval pode ser trabalhado por meio de atividades pedagógicas significativas, como oficinas de máscaras com reaproveitamento de materiais, rodas de marchinhas e criação de letras, construção de linhas do tempo sobre a história da festa, brincadeiras de percussão corporal e desfiles internos organizados a partir de combinados de respeito, inclusão e cooperação. Essas propostas integram aprendizagem, criatividade e valores sociais.
Na IAM, o calendário cultural é compreendido como um recurso pedagógico estratégico. Durante o Carnaval, promovemos oficinas de Artes e Cultura, rodas de histórias, experiências musicais e atividades coletivas que valorizam a identidade, a criatividade e a convivência. Todas as ações são desenvolvidas em diálogo com a cultura de paz, o respeito mútuo e a comunicação não violenta, reforçando o papel da cultura como ferramenta de educação social.
Ao integrar cultura, aprendizado e convivência, o Carnaval se reafirma como uma experiência educativa potente, capaz de fortalecer vínculos, estimular competências e ampliar horizontes desde a infância.
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